quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fuga Para Eldorado!


Sabe quando é chegado a hora... A hora de arrumar suas coisas e partir! Sei lá, é um sentimento de pesar. É quando não dá mais para aguentar a condição em que se vive. É o desemprego, é a falta de grana, é a rejeição, enfim! "São muitas pedras pelo caminho". 

"Eu vou embora para Eldorado!" Um lugar imaginário, onde reina a paz, a alegria, a beleza e fantasia. Onde os sonhos se realizam, e eu acho que serei feliz! Estou um pouco deprimido, depois de um dia glorioso de sol e de lembranças surreais. Agora é essa dor no peito, esse medo de amar, de deixar-se levar pelo desconhecido! 

Saio de casa depois do almoço, já é duas e meia da tarde. O sol vai alto, não encontro ninguém pelas ruas por onde ando. Subo a ladeira, da rua Manaus (onde eu moro), atravesso a Avenida Calda Junior, e sigo pela Rua Benjamin Constant em direção ao centro da cidade. Não sem antes passar pelo bairro Copacabana. 
E as horas vão passando e tudo o que deixamos para trás resolve retornar feito fantasmas a vagar! 

Felizmente estou inserido num programa social, em que eu estou tendo a oportunidade de me manter ativo e atento! Mas tem horas que a casa cai... É num rompante, numa relação familiar por demais desgastada. E vem a necessidade de reciclar-se, fazer algo por si mesmo, sair mundo afora! E essa é a angustia que fica a me entorpecer diariamente!

Peço a Deus que me dê amparo para que eu não venha a fazer nenhuma estupidez! "O trabalho digno ainda é o que engrandece o homem." E eis a minha missão - encontrar uma saída para as minhas horas tristes! Chega de ser tolhido, desprezado, jogado fora como um objeto descartável. 

Vou seguindo por essa calçada, sob as árvores centenárias deste parque. Encontro um jovem que não via há uns dois anos. O mesmo me conta que esteve preso, aqui em Lages e no litoral. E que mesmo assim não se abate, até porque a vida é curta. Pergunto-lhe se ainda canta rap? Pois quando o conheci ele não parava de declamar aquelas rimas de aventura e desespero... Sentado num dos bancos do jardim, sem camisa e de bermuda cinza, o corpo tatuado, braços torneados de um rapaz de 18 anos incompletos. Mais adiante, duas garotas - que pareciam ninfas no deserto - , acenam para ele, convidam-o para conversar. E eu ali ao seu lado, feliz por revê-lo e por saber que a esperança ainda paira sobre nós! 

Vai garoto! Boa sorte! Tente encontrar um trabalho digno para a sua idade, e não volte a cometer infrações. A liberdade - de ir e vir -  ainda é tudo o que temos!


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